Servos de Deus

Tiago de Jesus

Biografia

Nasceu em 29 de janeiro de 1900 em Barentin, na Normandia, numa família pobre e trabalhadora.

Aos 12 anos entrou no Seminário de Rouen. Com o início da Primeira Guerra Mundial teve de interromper os estudos para cumprir o serviço militar em Montlignon. De regresso ao seminário, continuou o seu trabalho de educador no Instituto São José do Havre. Retirava-se muitas vezes com Deus no silêncio de uma capela de campo ou na calma e no esplendor da criação. “Como se sente próximo o bom Deus quando se está imerso na natureza!”. Organizava visitas a abadias, a sítios históricos e, mais tarde, também acampamentos de verão para as crianças.

Foi ordenado sacerdote em 11 de julho de 1925. Acompanhou os seus escuteiros a Plymouth, na Inglaterra, e ali explicou uma das alegrias do sacerdote católico: a emoção que sente quando, durante a Missa, transforma o pão no Corpo de Cristo e se encontra subitamente face a face com Deus. O jovem soldado de Montlignon sonhava tornar-se trapista; o sacerdote incansável do Havre aspirava a tornar-se carmelita, pois descobriu que no Carmelo era possível ser monge e apóstolo.

Depois de anos de dolorosa espera, impostos pelo bispo da diocese, relutante em deixar partir aquele sacerdote fora do comum, Lucien entrou finalmente no Carmelo de Lille em 2 de agosto de 1931. Em 15 de setembro de 1932 recebeu o hábito e o nome de Jacques de Jésus, Tiago de Jesus. Para ele, os Carmelitas eram pesquisadores de Deus, chamados a viver no silêncio e na contemplação para levar Deus às almas.

Os superiores confiaram-lhe a criação e direção de um pequeno colégio dedicado a Santa Teresa de Lisieux. Partiu do nada, mas deu uma alma àquela casa, marcada por uma atmosfera familiar de simplicidade e confiança. Para o padre Jacques, a instrução tinha um único objetivo: formar homens livres e santos. Despertava nos jovens o melhor de cada um, moldava-lhes a inteligência pelo gosto do belo e ensinava-lhes a vida interior por meio do silêncio e da contemplação.

Quando a guerra rebentou em 1939, foi chamado como capelão do exército francês. Colocou-se ao lado dos que sofriam e dos perseguidos: “Se eu for fuzilado, alegrai-vos, porque terei realizado o meu ideal: dar a vida por aqueles que sofrem”. De regresso ao Pequeno Colégio de Avon, retomou o trabalho de educador e, de acordo com o seu provincial, acolheu e escondeu sob falso nome três crianças judias para as salvar da deportação. Em 15 de janeiro de 1944, a Gestapo reuniu todos os alunos no pátio. O padre Jacques foi preso, mas, antes de ser levado, olhou para os estudantes e gritou: “Adeus, rapazes… até breve!”. As três crianças judias morreriam poucas semanas depois nas câmaras de gás de Auschwitz. Da prisão de Fontainebleau, o padre Jacques passou por vários campos de concentração: Compiègne, Sarrebruck, Mauthausen e Güsen.

De etapa em etapa, o seu coração e todo o seu ser inflamavam-se de caridade: “Só conheço uma lei: o Evangelho e a caridade”. Recusou uma libertação comprada ou a clandestinidade e escolheu seguir os companheiros de desventura. Não hesitou, com risco da própria vida, em celebrar a Eucaristia e em servir os detidos, católicos e não católicos, sem preconceitos. Na enfermaria, cuidava dos doentes um a um, realizando um trabalho sobre-humano.

Suportou todo o incómodo e toda a perseguição para “fazer o seu purgatório na terra”. Privava-se do repouso para escutar, consolar e confessar. Dava o pão aos famintos e lutava pela dignidade de cada homem, ajudando os prisioneiros a permanecer livres interiormente mesmo quando o corpo estava acorrentado e aniquilado. Tirava a energia de viver e de se dar da contemplação de Cristo na Cruz.

Em 5 de maio de 1945, o campo foi libertado pelos americanos. O padre Jacques estava cada vez mais fraco. Transferido para o hospital de Linz, na Áustria, foi-se apagando lentamente. “Nos últimos instantes, deixem-me só!”: foram estas as suas últimas palavras. Atingido pela tuberculose, morreu de esgotamento em 2 de junho de 1945.

O Inquérito diocesano sobre a “vida, martírio e fama de martírio” encerrou-se em 31 de março de 2006. O decreto de validade foi concedido em 21 de novembro de 2008.

Processo

1. As normas canónicas relativas ao procedimento a seguir nas Causas dos Santos estão contidas na Constituição Apostólica Divinus Perfectionis Magister, promulgada por João Paulo II em 25 de janeiro de 1983.

2. Para iniciar uma Causa é necessário que tenha decorrido um tempo adequado desde a morte do Servo de Deus e que exista uma fama autêntica e difundida de santidade, de martírio ou de oferta da vida.

3. O bispo competente, depois de verificar os requisitos e de obter o parecer da Santa Sé, pode abrir o inquérito diocesano sobre a vida, as virtudes, o martírio ou a oferta da vida, bem como sobre a fama de santidade e de sinais.

4. Encerrado o inquérito diocesano, os atos são enviados ao Dicastério das Causas dos Santos, que procede à verificação jurídica da documentação e ao estudo da causa.

5. Depois da preparação e do exame da Positio, a causa é submetida aos consultores teólogos e, em seguida, aos cardeais e bispos membros do Dicastério. Compete ao Santo Padre autorizar a promulgação dos decretos correspondentes.

Iconografia

Publicações