Servos de Deus
Francisco de Jesus
Biografia
Nasceu em Los Hinojosos, Cuenca, em 4 de outubro de 1529. Por volta dos 12 anos foi para Úbeda, adotado pelo cavaleiro Juan Molina.
Aos 15 anos encontramo-lo em Baeza, discípulo amado de São João de Ávila, que o pôs como reitor das escolas primárias erigidas junto da universidade da cidade. Exerceu esse serviço em hábito clerical durante cerca de trinta anos, tornando-se famoso sobretudo como doutrineiro ou catequista e, depois, como pregador popular, também por vontade do Santo.
Em fevereiro de 1575 encontrou Teresa de Jesus em Beas, que o convidou ao Carmelo. Fez então, nas mãos dela, o voto de se tornar descalço, o que só pôde realizar alguns anos depois, por intervenção do padre Gracián. Nos primeiros dias de março de 1582 vestiu o hábito como leigo em Baeza, fez o noviciado em Sevilha e professou em março de 1583. Em 1584 partiu com outros dois religiosos para o Congo-Angola, chegando a São Salvador nos primeiros dias de dezembro. Ali, no mesmo mês, foi ordenado sacerdote e celebrou a primeira missa em 2 de fevereiro de 1585. Iniciou então um ministério missionário incansável por toda a região, conseguindo converter muitas milhares de pessoas com a pregação ardente, confirmada pela santidade da vida e pelos milagres, e por um fervor extraordinário que o atraía à Eucaristia e o tornava oração viva.
Regressou à Espanha com os companheiros de missão em 1587, para convencer os superiores a reforçarem o número dos apóstolos e a sustentarem a obra; acabou por ficar e foi destinado ao convento de Madrid, onde foi pregador e confessor muito estimado e procurado.
Exerceu também o apostolado em Barcelona e, durante cerca de quatro anos, na Andaluzia, fazendo por toda a parte grande bem e deixando fama de grande santidade. Enviado já com cerca de 76 anos para uma missão em Úbeda, ao regressar da Andaluzia caiu gravemente da montada e depressa ficou em estado extremo. Levado para Los Hinojosos, relativamente próximo, morreu ali em 10 de junho de 1601, entre grandes sofrimentos suportados na alegria do espírito e da oração. Era venerado por todos como grande santo, pelo ardor eucarístico, pelo espírito de oração, pela caridade e misericórdia para com todos os que sofriam na alma e no corpo, pelo amor à Virgem Maria, pela ascese penitencial severa e alegre e pelos milagres.
Em 27 de novembro de 1937 foi concedido o decreto sobre os escritos.
Processo
1. As normas canónicas relativas ao procedimento a seguir nas Causas dos Santos estão contidas na Constituição Apostólica Divinus Perfectionis Magister, promulgada por João Paulo II em 25 de janeiro de 1983.
2. Para iniciar uma Causa é necessário que tenha decorrido um tempo adequado desde a morte do Servo de Deus e que exista uma fama autêntica e difundida de santidade, de martírio ou de oferta da vida.
3. O bispo competente, depois de verificar os requisitos e de obter o parecer da Santa Sé, pode abrir o inquérito diocesano sobre a vida, as virtudes, o martírio ou a oferta da vida, bem como sobre a fama de santidade e de sinais.
4. Encerrado o inquérito diocesano, os atos são enviados ao Dicastério das Causas dos Santos, que procede à verificação jurídica da documentação e ao estudo da causa.
5. Depois da preparação e do exame da Positio, a causa é submetida aos consultores teólogos e, em seguida, aos cardeais e bispos membros do Dicastério. Compete ao Santo Padre autorizar a promulgação dos decretos correspondentes.